sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Votar a favor de Temer seria como "matar a sogra"

O deputado Sérgio Reis (PRB-SP) foi uma das surpresas desagradáveis para Temer na votação da denúncia contra o presidente na Câmara, nesta quarta (2).
Ele chegou a dizer ao governo que apoiaria o presidente. Na hora do voto, foi contra e ainda afirmou que "o povo não aguenta mais".
Reis, campeão de emendas pagas pelo governo, justifica: "Votar contra seria como se eu matasse a minha sogra e pedisse para só ser julgado um ano e oito meses depois".
Ele se refere ao fato de que Temer só será processado depois desse prazo, quando deixar a Presidência.
Um dos colegas de Reis ensaia explicação para as mudanças inesperadas: "O pessoal não aguenta a pressão da TV Globo". A emissora transmitiu a votação ao vivo – Mônica Bergamo/Folha


Entre mortos e feridos

Temer recomeça, PSDB perde, DEM ganha, PT sobrevive.
O “povo”? Sumiu
Balanço da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer pela Câmara: o governo ganha um recomeço, o PSDB foi o que mais perdeu, o PT demonstrou que tem sobrevida, o DEM foi o maior vencedor. E o “povo”? Não estava nem aí.
A sensação não só no Planalto como em toda Brasília é que Temer vai enfrentar solavancos, mas conseguirá atravessar a pinguela, avançar na pauta legislativa e concluir o mandato.
A questão é saber como Temer fica, com quem e para quê - Eliane Cantanhêde/Estadão


Um placar para dois

Assim como o governo esperava o resultado de ontem para tocar as reformas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também aguardava o placar para encaminhar uma nova denúncia.
Ele agora sabe que não há número suficiente para abrir uma investigação contra Michel Temer.
A intenção, porém, ainda é enviar o pedido.
E há, inclusive, gente da própria base do governo torcendo para que isso ocorra. Será mais uma chance de tentar obter algum benefício do Planalto - Denise Rothenburg/Correio Braziliense

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Temer vence a batalha, mas a guerra continua

Nunca antes neste País um presidente da República em pleno mandato foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República.
Nunca antes neste País a Câmara negou a autorização para o processo no Supremo Tribunal Federal. E nunca antes neste País os gramados do Congresso ficaram vazios durante uma votação tão importante.
Às 18 horas, a Polícia Legislativa identificava mais de 200 policiais militares e apenas 30 pessoas diante do Congresso e não mais do que 50 se movimentando a partir da rodoviária.
“Nem cem manifestantes?!”, exclamava um experiente segurança, acostumado há décadas de grandes votações e grandes manifestações.
Foi assim que o presidente Michel Temer venceu sua mais importante batalha com três armas: emendas parlamentares, seu profundo conhecimento da Câmara, que já presidiu três vezes e, particularmente, o desinteresse da população.
O “fora, Temer” não virou o “Rodrigo Maia já” - ELIANE CANTANHÊDE/ESTADÃO

Deputado tatuado recebeu doação de R$ 200 mil da JBS

O deputado Wladimir Costa (SD-PA), que tatuou “Temer” no ombro, recebeu em 2014 uma doação eleitoral de R$ 200 mil da JBS.
O valor foi transferido pela empresa do Grupo J&F ao diretório nacional do partido de Wladimir e, em seguida, ao então candidato a uma cadeira na Câmara.
O total de receitas de Wladimir naquele ano foi de R$ 642.457,48. A JBS representou cerca de 30% do valor de campanha do parlamentar.
Os R$ 200 mil foram transferidos ao deputado da tatuagem em 15 de setembro de 2014 por meio de um cheque. As doações estão registradas no Tribunal Superior Eleitoral - FAUSTO MACEDO/ESTADÃO